Como socorrer o acidentado (ABCDE da Vida)

Segundos fazem a diferença

Como nasceu a idéia do ABCDE da Vida?

Em 17 de Fevereiro de 1976, o cirurgião ortopédico James K. Styner estava pilotando seu avião modelo Beachcraft Baron, na companhia de sua esposa e seus quatro filhos. Infelizmente, devido à uma pane na aeronave, foi necessário um pouso forçado. Sua esposa faleceu instantaneamente e seus filhos tiveram múltiplos traumatismos e fraturas.

Acidente com a familia do Dr. Styner (criador do ABCDE da Vida)
Imagem do acidente de 1976

Durante o atendimento às vítimas, Dr. Styner percebeu uma grande desorientação e a falta de uma rotina de atendimento por parte dos paramédicos. Aí nasceu a idéia do ATLS (Advanced Trauma Life Support) que, em português, significa Suporte Avançado de Vida no Trauma. O conceito do ATLS se baseia em etapas (A, B, C, D e E) que veremos mais adiante. Estas etapas são conhecidas como ABCDE da Vida.

O que fazer primeiro?

A primeira coisa, SEMPRE, é chamar ajuda. Seja gritando por socorro ou telefonando para o resgate (No Brasil o telefone é 192).

Após a ajuda ter sido solicitada, deve-se realizar uma rápida avaliação da cena para evitar outro acidente. Por exemplo, se você presencia uma queda de moto e para bruscamente seu carro no intuito de ajudar, pode estar contribuindo para um acidente ainda maior.

No exemplo acima havia apenas uma vítima, o motociclista. Porém, sua parada inadvertida na estrada poderia gerar outro acidente e somar um número bem maior de vítimas a essa cena.

Vamos ao ABCDE agora:

A – Do inglês: Airways (vias aéreas). Significa que a primeira coisa a se fazer é verificar se não há nada obstruindo as vias aéreas do paciente como: Corpos estranhos, sangramento, secreções, edema nas vias aéreas etc.

BDo inglês: Breathing (respiração). Após excluir qualquer obstrução, deve-se verificar se a vítima consegue respirar normalmente.

C – Do inglês: Circulation (circulação). Agora é o momento de verificar se a vítima possui pulso presente e se sua circulação sanguínea encontra-se adequada. Nesta etapa afere-se a presença e amplitude do pulso arterial, bem como o nível de consciência e presença de sangramentos evidentes.

– Do inglês: Disability (déficit ou incapacidade). Realiza-se um exame neurológico primário. Verifica-se o grau de resposta aos estímulos verbais e estímulos dolorosos.

E – Do inglês: Exposure (exposição). Nesta última etapa retira-se a roupa do paciente, tomando-se cuidado para evitar a hipotermia. O objetivo é buscar focos de sangramento ou fraturas ainda não percebidas.

Nos últimos 40 anos, o sistema criado pelo Dr. James K. Styner foi responsável por salvar milhares de vidas. Após a implementação do ATLS como protocolo mundialmente aceito nas equipes de resgate e no treinamento da população em geral, as mortes relacionadas com o trauma reduziram drasticamente.

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Dr. Daniel RosaCréditos:

Dr. Daniel Rosa – Ortopedista e Especialista em Joelho RJ

Site Dr. Daniel Rosa

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